domingo, 20 de abril de 2008

Código de Viagem: INRPUBLI






Ao som de Mysteries of Love – Antony and the Johonsons

Por A. Guilhermo Breytenbach B. de Mont Serrat




Minha viagem começa antes do que eu pensava. Minha viagem não será apenas do exterior, mas será das entranhas, das carnes e dos líquidos sanguíneos que, dentro de mim são. Ela, minha viagem começa hoje, ao meio de uma polifonia de vozes e de cantos. Ao meio de uma profunda tristeza – ligada ao passado, e pela falta de uma verdade, e agora sem qualquer utopia de afeto. Minha viagem será uma distopia, profunda. Dez anos que aos poucos perdem qualquer sentido, na verdade tudo perde o sentido de ser – de se estar neste mundo. E isso já não me parece tão ruim assim, é apenas triste.
Porém, o que vejo; esse abismo profundo e negro não me assusta mais, já parte do que sou. Trata-se apenas da constatação que não se pode mais – que para tudo existe um limite – programado ou não: esse limite chegou. E que dessa esperança definitiva e brutal, já não comungo mais. Busco-me além. Então tenho que me ir, não importa, para qualquer lugar, fora daqui, longe de tudo e de todos. Preciso, urgentemente, plasmar-me no novo, seja de que forma e contornos for, “Eu sou o outro”. Ou então, é interromper tudo isso, para plasmar-me na morte, brutal e louca.
Contudo ainda posso abraçar com carinho e amor o auto-exílio – ele em seus braços me acolhe. E esse é o código de uma viagem de auto-superação, estupor, e quem sabe sorte. Meu código é IRPUBLI, não obstante, ele pode plasmar-se para direções diversas, mundos desconhecidos. Esse nomadismo obrigatório e ao mesmo tempo inevitável é um exílio selvagem. Minha viagem que começa no EU pura imanência, já começou e não é utopia e uma desvairada distopia, u-crônica, de mim e de outros. Por que somos todos uma legião. O Individuo, já nasce historicamente partido, e nas massas sou apenas um eco das vozes que ecoam de hoje, de passados - que gritam e precisam ser definitivamente enterradas para que o fogo renasça.
Como fênix, ave de fogo, renascida das cinzas, e cheia de ventos púrpuros, trata-se de pensar o presente, já que o futuro ou o passado me fazem estar-ser obcecado pela morte e pelo mórbido. Todas as Nações estão mortas, porém ainda existem muitas estações e nelas busco-me como fênix de fogo e rutilos, com um vigor que já foi meu – agora só existe o Eu – que sou OUTRO.
Minha viagem INRPUBLI é da parte do Diabo, mas da parte que encontra o lado negro e diz sim, e aceita, que de escuridão e pequenas luzes estrelares somos todos. Um profundo e misterioso fundo negro pontilhado de estrelas e galáxias, rutilas e vermelhas. O que é sombrio em mim, faz parte de tudo isso, e pois que hoje sou outro, não posso voltar atrás. Esse estranho, esse outro sou eu.

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